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Hoje faz um ano da morte do ícone da Cultura Nordestina

Hoje faz um ano da morte do ícone da Cultura Nordestina

“Algumas histórias são verídicas, outras talvez sejam apenas piadas ou lendas que faziam alusão à sua grosseria. Mas sejam verdadeiras ou não, seu Lunga deixou saudade.”

Nascido em 1927 no Sítio Gravatá, na zona rural de Caririaçu, Joaquim dos Santos Rodrigues passou a ser um dos principais símbolos da cultura popular cearense. Mais conhecido como Lunga, tal apelido destinou-se de uma vizinha que aos dezesseis anos lhe apelidara de Calunga e com o passar do tempo, resumiu-se dando finalidade ao apelido Lunga.

A fama de ignorante era atribuídseu-lungaa ao Lunga por várias décadas, pois ele não gostava de perguntas bobas. Tão logo fosse feita alguma pergunta mal elaborada ou, de cunho irônico, Lunga respondia firmemente. Há quem diga que tal fama de carrancudo do mítico personagem juazeirense surgiu e ganhou força no ferro-velho em que Lunga trabalhava, situado na rua Santa Luzia.

Dava pra observar que Seu Lunga ficava envaidecido com a fama, onde não demonstrava costume com “o título celebridade” conquistado.  Este fora lhe concedido, após a publicação de cordéis escritos pelo poeta cordelista Abraão Batista, que tinha um de seus cordéis com o título “homem mais zangado do mundo”, que foi alvo de ação judicial movido pelo próprio Lunga.

Algumas pessoas achavam engraçado a impressão de medo das pessoas a “ignorância” de Lunga. Pois ele não se dava ao trabalho nem de levantar de seu assento de madeira para participar das fotografias solicitadas por pessoas que tinham o prazer de arriscar uma proza.

Se com as fotos, ele já não se importava, imagina o que se podia dizer das barganhas feitas aos produtos expostos na sucata. Se alguém reclamasse que seus produtos ali comercializados estavam caros, ele fazia questão de informar onde poderia encontrar mais barato, mas não baixava o preço.

seu-lunga3Mas mesmo que Lunga tivesse tolerância zero com algumas indagações, muitas delas feitas única e exclusivamente para ironizar e até ridicularizá-lo, não chegavam a ser tão absurdas como o que foi escrito com tom pejorativo em muitos cordéis. E há pessoas que tem isso como uma forma de impaciência. Como o cantor cearense Fagner que já citou uma teoria sobre o Seu Lunga: “Existem vários outros ´Seus Lungas´ por aí. São pessoas que no fundo são bem-humoradas, mas não têm paciência nenhuma”.

No entanto, o mundo do poeta não girava tão-somente em torno da impaciência e mau humor. Uma forma de arrancar um sorriso, ainda que tímido, de seu rosto, era pedir que declamasse uma de suas 20 poesias. Aliás, era um dos raros momentos que tirava Lunga do conforto de seu banquinho da Sucata. Para declamar Lunga ficava de pé e estufava o peito.

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