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Padre Cícero

Padre Cícero

Padre Cícero nasceu no dia 24 de março, na cidade do Crato, Ceará. Filho de Joaquim Romão Batista, comerciante, e Joaquina Vicência Romana. Carismático, obteve grande prestígio e influência sobre a vida social, política e religiosa do Ceará.
Ainda aos 6 anos, começou a estudar com o professor Rufino de Alcântara Montezuma. Um fato importante marcou a sua infância: o voto de castidade feito aos 12 anos, influenciado pela leitura da vida de São Francisco de Sales. Em 1860, foi matriculado no colégio do renomado padre Inácio de Sousa Rolim, em Cajazeiras na Paraíba, mas em 1865, com a morte de seu pai, voltou para o Crato. Estudou na Prainha, em Fortaleza, onde foi ordenado Padre em 1870. Cícero era considerado um aluno mediano e, apesar de anos depois arrebatar multidões com seus sermões, apresentou notas baixas nas disciplinas relacionadas à oratória. Foi no Natal de 1871, convidado pelo professor Simeão Correia de Macedo, que o Padre Cícero visitou pela primeira vez o povoado de Juazeiro (numa fazenda localizada na povoação de Juazeiro, então pertencente à cidade do Crato), e ali celebrou a tradicional missa do galo. O padre visitante, então aos 28 anos, impressionou os habitantes do lugar. E decorridos alguns meses, exatamente no dia 11 de abril de 1872, lá estava de volta, com bagagem e família, para fixar residência definitiva no Juazeiro. Depois, tocado pelo ardente desejo de conquistar o povo que lhe fora confiado por Deus, desenvolveu intenso trabalho pastoral com pregação, conselhos e visitas domiciliares, como nunca se tinha visto na região. Dessa maneira, rapidamente ganhou a simpatia dos habitantes, passando a exercer grande liderança na comunidade.
Um “milagre” ocorrido em 1889 transformou a vida do religioso e da cidade. Ao participar de uma comunhão geral, na capela de Nossa Senhora das Dores, a hóstia sangrou na boca de uma fiel. Logo a notícia do milagre se espalhou. A cidade passou a receber peregrinos de vários lugares. Em 1894 foi punido com a suspensão da ordem. Foi acusado de manipulação da crença popular, pelo Vaticano. Dois médicos foram chamados para testemunhar e confirmaram o milagre, fato que só fortaleceu a crença do povo.
Padre Cícero foi chamado ao Palácio Episcopal. O bispo mandou investigar. A igreja não aceitou o milagre e o padre foi punido. Em 1894 foi suspenso da ordem, acusado de manipulação da crença popular pelo Vaticano. Inconformado, sem poder celebrar missa, foi ao Vaticano, em 1898, pedir revogação da pena, ao papa Leão XIII. Saiu de lá com a vitória, mas o bispo não aceitou e pediu revisão do resultado.
Sem poder seguir na carreira religiosa, entrou para política, em 1911 foi nomeado prefeito. Participou da Revolta do Juazeiro, em 1914, junto com grandes coronéis.
Padre Cícero foi o grande benfeitor de Juazeiro do Norte, levou para a cidade a Ordem dos Salesianos, doou o terreno para construção do aeroporto, abriu várias escolas, entre elas a Escola Normal Rural, construiu várias capelas, estimulou a agricultura e ajudou a população pobre nos períodos de secas na região.
Quando sua vida pública chegou ao fim, seu prestígio de santo deu grande impulso, e com sua morte a devoção aumentou. Todos os anos, no dia de finados, uma multidão de romeiros, vinda de várias partes do Nordeste, chega a Juazeiro para visitar o túmulo do santo, na Igreja de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro. No alto da Colina do Horto foi erguida uma estátua do padre, sendo ponto de peregrinação.
Cícero Romão Batista faleceu no dia 20 de julho de 1934, aos 90 anos em Juazeiro do Norte, Ceará.