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Parabéns aos Artesãos Cearenses

Parabéns aos Artesãos Cearenses

Artesão é um profissional que fabrica produtos através de um processo manual ou com auxílio de ferramentas. Sua profissão usualmente requer algum tipo de habilidade ou conhecimento especializado na sua prática. No período que antecede a Revolução Industrial a profissão está associada a produção artesanato ou em pequena escala de bens e produtos, quando artesãos se associavam em guildas ou corporações de ofício. No contexto contemporâneo, o artesão é aquele que produz itens de carácter funcional ou decorativo, conhecidos como artesanato, a partir do qual ele obtém a sua renda.

Considerando a forma de produção, o artesão pode ser:

  • Artesão-artista: é aquele que por sua criatividade, originalidade, graciosidade e perícia produz peças que provocam profundo sentimento de admiração naqueles que as observam. Exemplos: talhadores, gravadores, escultores, pintor ingênuo (arte naif) etc.
  • Artesão-artesão: é aquele que trabalha em série, muitas vezes com ajuda de ferramentas e mecanismos rudimentares, produzindo dezenas de peças, centrado mais no aspecto utilitário das peças que produz que em despertar no observador o sentimento de beleza. Cerâmica ornamentada produzida manualmente com ou sem torno de pé.
  • Artesão semi-industrial: é aquele que trabalhando a partir de moldes ou e de outros processos semi-industriais reproduz dezenas de peças iguais. Ex: peças utilitárias de cerâmica produzidas de forma semi-industrial (tigelas, jarros, jóias, potes etc).

O que é produzido no Ceará:

Artesanato – O indígena, que o colonizador encontrou, já era artesão do tecido e da cerâmica sedimentar. Com a casca da aroeira tingia de vermelho os fios de algodão e as fibras de outros vegetais, e do azul que extraia de outras plantas do mato. Produzia sandálias de corda de caroá (ou croatá). Os Jesuítas, ao chegarem para proceder a evangelização da indiada, ante a habilidade manual e pendor artístico mostrados pelos nativos, sistematizaram o artesanato existente, somando-o ao da gente portuguesa, ensinando-lhe as técnicas de pintura, escultura, douração, relojoaria, ouriversaria, carpintaria, marcenaria, tecelagem, fundição etc. Com a expulsão dos jesuítas por Pombal, os índios e a descendência mameluca já haviam incorporado a sua cultura a vocação artesanal, transmitida as gerações que iam chegando. E permanecendo até hoje. E de tal forma interessante – até encantadora – que essa produção artesanal, apesar da introdução do maquinário moderno e a tecnologia em curso, permanece viva, elaborando peças que continuam sendo disputadas pelos que aqui chegam. 

As Rendeiras – Foi em 1748 que a Europa recebeu as primeiras rendas do Ceará. Logo tidas como de excepcional qualidade artística. Há dois séculos, portanto, que foi detectado o “natural engenho” de nossas rendeiras. Vale ir ver in loco o trabalho dessas artistas. O equipamento que elas usam é simplissímo. Um almofadão, no qual fica pregado um cartão furado do desenho da renda que se pretende fazer, alfinetes do espinho do mandacaru, para prender a renda, e os bilros de madeira, mais três caroços de macaúba onde são enrolados os fios. Vale acrescentar que a renda difere do bordado por não ter um fundo de tecido preparado, como o bordado, que é ornamentado com fios inseridos por meio de agulhas. (Aquiráz, Acarau, Trairi, são os municípios de maior concentração das chamadas mulher-rendeira). O labirinto consiste em desfiar um pano e recompô-lo em desenhos, que podem ser “paleitão”, “caseio”, “enchimento”, “bainha” e “desfio”, trabalhos delicadíssimos, que exigem enorme esforço visual e muita habilidade artística. Aracati, Beberibe e Cascavel são, entre os litorâneos perto da Capital, os municípios que mais os produzem. Redes-do-Ceará – A rede de dormir era feita pelos indígenas, da fibra do tucum. Os colonos a incorporaram ao hábito e passaram a faze-la tecida de algodão. Ainda hoje é produto “made in Ceará”, exportada pelo mundo inteiro e que o turista disputa e compra. Jaguaruana e Fortaleza concentram o maior número de fábricas de redes e ainda há artesãs que a fazem manualmente, com teares primitivos, em que pese a concorrência obviamente abrangente, das tecidas industrialmente. 

Couro – Eis a matéria-prima em que o artesanato cearense ganha dimensões extraordinárias. O mais característico é o chapéu de couro, que o vaqueiro usa e que o visitante sempre gosta de comprar. A roupa do vaqueiro é toda feita em couro, única forma que o capacita a, montando no cavalo, correr atrás do boi, por entre a caatinga agressiva, cheia de plantas espinhentas e ressequidas. Mas há também as selas, arreios, bainhas de faca, porta revistas, esculturas, cadeiras… A fora evidentemente as sandálias, as alpercatas e sapatos de couro cru, ainda vendáveis, apesar da instalação, recentemente, de várias indústrias de sapato, vindas do sul do país, que estão aproveitando os generosíssimos incentivos, que o Governo do Estado oferece. Já se pode afirmar que o Ceará é mais um polo industrial do Couro. Morada Nova, Juazeiro, Crato, Jaguaribe e Assaré apresentam os contingentes maiores do artesanato coureiro. 

Cestarias e trançados – São variedades do artesanato situadas logo a seguir das rendas e bordados, no que concerne á ocupação da mão de obra, e em cifras de unidades produzidas e exportadas. Para trançar temos a maior riqueza a “carnaúba”. Chapéus, cestas, esteiras, vassouras, abanos, peneiras, samburás, caçuás, esteiras, urupenbas, são algumas das unidades desse universo da cestaria e da trança. Aracati e Sobral são os maiores produtores de chapéus. De “cipó”, dezenas de municípios trançam-no para o fabrico de vários utilitários. Outros mais dedicados a essa atividade são Russas, Cascavel, Limoeiro do Norte e Guaramiranga. 

Cerâmica – A mulher indígena já fazia panelas e pratos de barro dos massapês próximos. E hoje os sertanejos utilizam a cerâmica para os mais variados artefatos caseiros e, também de arte pura, como o famoso mestre Vitalino, de Pernambuco, e com seguidores nos demais estados nordestinos, Ceará, inclusive. O artesanato de cerâmica medra nos municípios banhados por rios e riachos. Jarras, quartinhas (moringas), gamelas, pratos, mealheiros, alguidares, além de figuras lúdicas de animais, pessoas etc. São muitos os municípios louceiros: Barbalha, Ipu, Limoeiro do Norte, Aracati, Icó, Juazeiro, Chorozinho… 

 

Garrafas coloridas – Com as areias multicores das falésias que lhes enfeitam a praia, surgiu, principalmente, em Majorlândia, Aracati, os artistas das garrafinhas coloridas. Pacientemente, com estiletes e diminutas pasinhas, eles as vão dosando para dentro das garrafas, formando paisagens e desenhos variados. Até fotografias chegam a ser reproduzidos nessas garrafas. Obviamente é um trabalho de muita paciência e habilidade. Arte pura.

 
 

Madeiras e metais – Com latas usadas, os artesãos fabricam bacias, canecas, lamparinas, funis, caçarolas, formas de bolo, etc. Com forja e bigorna e rudimentares instrumentos de ferreiros, são confeccionados foices, armadores de redes, chocalhos, estribos, argolas, fechaduras. Com a madeira, nossos marceneiros são capazes de fazer obras de arte encantadoras na área do mobiliário. Sem dúvida alguma, o cearense tem pendor artístico. Pena que o incentivo às suas artes ficaram perdidos nos tempos do Padre Cícero. São admiráveis pelo fato de não haverem deixado essa tradição se acabar de todo. Acrescente-se a este artesanato de madeira, o trabalho dos talhadores, que esculpem sua arte em tábuas.

A Pousada Sombra do Juá tem anexo a sua Unidade 1 (Rua São Paulo) uma loja com nome Sombra e Arte e temos o prazer de vender artesanatos dos melhores artesãos do Ceará. Visite nossa loja.

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